16/06/2009, por Rafael Koelho
On the records
Chegamos ao imponente estúdio Banda Sonora por volta das 10 da manhã. Eu e Barata ficamos sentados esperando a chegada do Rudá e do pai dele, que foi quem fez o meio-campo com o produtor. José Luis Góes é o nome do figura. Ele já gravou grandes bandas, como Capital Inicial e outras que não me lembro o nome. Ficamos felizes em saber que ele já tinha trabalhado, também, com o Ratos de Porão, então achamos que seria um facilitador. E ficou só no pensamento. O cara era extramamente chato, meticuloso como todo produtor deve ser, mas palpiteiro demais. Reclamou que meu baixo tinha captação passiva, da força que o Barata batia na caixa, da Gibson SG (do Thiago, da extinta banda Imorais) que o Rudá escolheu para gravar, da ordem de execução das músicas - basicamente, de tudo. Para piorar, levamos o Caio (Doped Dog) e o cara não gostou disso. Em certo momento, o Caio mexeu em um mouse da mesa de som, uma que nem ligada estava, e o produtor quase surtou de nervosismo. Tirando isso, ele entendia muito dos equipamentos em geral, o que nos poupou algum tempo no resultado final.
Começamos as gravações pelas músicas mais fáceis e rápidas, e o barbudo se espantou em ver que gravamos - por inteiro - sete músicas em oito horas. No segundo e último dia, ele atrasou bastante as gravações, saindo para almoçar por mais de duas horas e voltando com pressa para ir embora. Se isso tivesse acontecido, teríamos que desembolsar uma boa grana na mixagem e masterização do cd, fato que foi impelido pelo pai do Rudá com a ameaça de "ou você faz tudo até o final, ou não recebe nada". Confesso que também tive uma boa parcela de culpa pelo atraso: eu saía do trabalho às 14h, chegava no estúdio às 15h, gravava os vocais com dificuldade monstruosa, já que a velocidade das músicas tinha sido aumentada em 2, 3 vezes, graças ao Barata. Lembro de ter levado mais de uma hora para conseguir gravar Helena, mais outra para gravar Susan. No fim do dia o que eu menos queria era conversar com alguém.
A escolha das músicas foi definida pelo que sabíamos tocar melhor. O problema era que isso não significava que sabíamos tocar bem. Até hoje eu acho que o Rudá erra no solo de Window Girl, além de eu ter errado uma nota em Helena e outra em Afraid to be Alone. E saiu assim mesmo, que se dane, afinal, era Seven Elevenz. Outras porcarias que só notamos após as gravações foram os erros crassos no inglês. Substituíram um vocalista com diploma na Cultura Inglesa por um que aprendeu tudo que sabia no Mega Drive e encartes de cd. Helena já começa errada pelo nome. "Helena IS OF the Fiend Club" é quase tão penoso de se ler, quanto ouvir "Helena wants to kill me with an ACE", ao invés de Axe. Mas, se ninguém chegou a reclamar, que se exploda. Eu também canto "She never Call", quando deveria cantar "She never Call's". Entre outras, claro. Uma vez, recebi e-mail de um fã da banda, vindo da Espanha, que me disse adorar o fato de eu cantar Ace em Helena, que eu devia tentar marcar show com a banda por lá, que tinha cd para vender nas lojas e etc. Nem dei muita bola. Respondi com um "Valeu, que bacana, bla bla bla" e pronto. Era o vocalista da banda Fast Food, e eu nem sabia.
Com o cd já gravado e mixado, percebemos outro problema: havíamos gravado um som totalmente avesso ao Seven Elevenz naquela formação. Quando escrevi Ombro Inútil (e mais tarde eu explico todas as músicas da banda que fiz) ela tinha um sentido, um porquê e tudo mais. Quando ela foi lançada, já era uma música tão velha e batida que odiávamos subir no palco e ter que tocá-la. Pior, pediam sempre a música nos shows - em vão. Eu tinha, nessa época, outras duas músicas legais que acabaram não entrando no track list do cd por falta de ensaio, o que devíamos ter feito um pouco mais. Com o tempo, algumas outras músicas do cd foram tendo o mesmo efeito sobre nós três, como Blue Cap Girl, Cutting Onions (que eu sempre gostei, mas o Rudá e o Barata insistiam em errar o final) e Afraid to be Alone, por ser longa demais.
Os shows foram aparecendo aos poucos. Já não estávamos naquela fase maravilhosa de tocar 2, 3 vezes ao mês. Não só por descaso de nossa parte, mas por outros motivos que valem ser listados: O bubblegum em geral estava em estagnação tremenda, com apenas três bandas no País todo aparecendo na internet, lançando cds e fazendo shows fora de suas cidades; o crescimento do Emo; o fechamento de casas de shows tradicionais; a comum inimizade entre bandas de diferentes estilos e o aumento do preço dos ingressos. Por tudo isso, sempre que aparecia uma chance de tocar, não pensávamos duas vezes e aceitávamos, sem perceber que o que tínhamos a ganhar na venda de cds estava indo pelo ralo. Até hoje, seis anos após o lançamento, dos 1000 cds feitos pela Oba! Records + meu bolso, cerca de 150 continuam em caixas de papelão e armazéns de cds da Galeria do Rock.
Foi quando um horizonte se iluminou a nossa frente - os festivais itinerantes. Na verdade, um festival itinerante: a Feira Mix. O evento era baseado em arrastar uma penca de bandas para cidades brasileiras onde, normalmente, o fluxo de shows era baixo ou zero, ganhar em cima disso com a desculpa de não pagar cachê para quase ninguém e fazer nome entre bandas e fãs. Fomos convidados duas vezes. Na primeira, não pudemos ir por incompatibilidade de agenda e problemas de lotação de hotel. Na segunda, fomos confirmados ao lado de outras 13 bandas, para tocar em Curitiba, Paraná. Foi uma das mais penosas e engraçadas "aventuras" do Seven Elevenz, que vou deixar para contar no capítulo que vem.
Tags: fast food, feira mix, banda sonora, josé luis góes, curitiba
Comunidade do site?
Acho que nunca entrei lá, hahaha!
RO-NAL-DO.
ABC? aquela música do pelé?
olha o respeito mano... eu podia vir aqui e falar sobre futebol, mas eu ia me tornar um chato que nem o marcelo vintage, causando na comunidade do site... hahahahaha
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Hahahaha vou começar a fazer uma coluna só sobre futebol, PQP!
Por isso que eu torço pro ABC F. C. aqui de Natal/RN...
O maior campeão do Brasil... 50 títulos estaduais...
Tah no guiness book
E bóra voltar essa discussão pro Twitter que quero perder mais uns 3 seguidores, também, haha! Aqui é lugar de outra coisa!
Só te relembrando que a minha pergunta foi justamente uma afirmação.
E afirmando novamente que desde que você nasceu (1987?), JAMAIS viu seu time vencer algo que dê orgulho. Segundo o site do SEU TIME, que se auto-intitula OCTACAPEÃO BRASILEIRO, vocês ganharam 11 CAMPEONATOS, desde que você nasceu.
Ou seja, passou metade da vida pensando "Po, ser santista é SÓ isso?".
Namastê!
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ser o dono da coluna não te isenta de admitir ter errado inglês... mas não esquenta, "nóis é BRASILÊRO", nossa língua mãe é o português.
adoro encher sua paciência, lagomorfo! agora, admita na próxima coluna que você não sabia que o corinthians entrou no mundial de 2000 só por ser o campeão do país-sede. ;)
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Bejota, quem você acha que escreveu o texto dessa coluna acima?!
na verdade, acho que o correto seria "she never CALLS", sem a apóstrofe, mas tudo bem. essa coluna me entreteve, pelo menos.
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E eu percebi que amo usar a palavra PENOSO - PENOSAS nos textos.


