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Acnóide - Tales from the K: Capítulo #11

24/06/2009, por Rafael Koelho

Touring, touring...

Era uma sexta-feira quando arrumei minha mala, troquei as cordas do baixo, separei os documentos e alguns cds da banda para embarcar no ônibus da Feira Mix, em direção a Curitiba. A cidade em si não tinha muitos atrativos naquela época, a não ser uma ou duas bandas do passado que carregavam o nome da capital paranaense, como o Pinheads. Eu, Rudá e Barata, nunca tínhamos tocado no sul do Brasil, e a ansiedade não era tão grande quanto a nossa vontade de viajar de graça e, possivelmente, faturar alguns trocados. Peguei um ônibus saindo da zona sul com o Barata e fomos encontrar o Rudá onde o resto das bandas do evento se reuniram, em um posto de gasolina na Consolação, quase em frente ao Mackenzie, tradicional universidade paulistana. Quando chegamos lá, por volta das 19:30h, não havia ainda muito o que fazer: o ônibus da turnê estava vazio, porém, cheio de materiais das outras bandas, como instrumentos, camisetas e cds. Passamos uns 40 minutos sem fazer absolutamente nada, e decidimos fazer como as outras bandas - matar o tempo o máximo que pudéssemos. Foi nosso maior erro.

Demos uma caminhada pela rua do Mackenzie, procuramos por algo para comer e, não encontrando, voltamos para o posto. Para tentar fazer o tempo passar ainda mais rápido, fomos para o boteco onde outras bandas estavam, como o Food 4 Life. Lá, Helinho, baixista da banda, nos disse que já estavam de saída, pois o ônibus iria sair em breve. Paramentados de garrafas de vinho e diversas latas de cerveja, os hardcorers foram para o posto de gasolina, e o Seven Elevenz ficou no bar. Com certeza, nossa estada no local não durou mais de 20 minutos. Resolvemos colocar o resto da cerveja em alguns copos plásticos para nos juntarmos ao restante das bandas dentro do ônibus. Mas... que ônibus?

Chegando ao posto, a constatação: não havia mais ninguém ali. Nem sinal de bandas, Helinho, motorista, muito menos ônibus. Para não dizer que não havia nada, tinha um travesti parado por lá, que disse que o ônibus tinha saído fazia uns "vinte minutos". Desesperados e sem os documentos, carteira, dinheiro e intrumentos, boa parte tudo dentro do bagageiro do ônibus, saímos correndo a Consolação em disparada, enfrentando uma ladeira especialmente desenhada para matar qualquer punk rocker ou fumante casual. Corremos para cima e para baixo por quase 10 minutos, e nem sinal do nosso transporte. Decidimos que o melhor seria voltar ao posto e tentar ligar para alguém que estivesse dentro do ônibus, pedir para que voltassem e nos buscassem ou que, pelo menos, tomassem conta das nossas coisas. O problema é que, anti-sociais como sempre fomos, não tínhamos contato com ninguém lá de dentro. Peguei o telefone do Nick, dono da Oba! Records, patrão nosso e do Food 4 Life, e contei o causo:

Nick: Porra, como vocês perderam o ônibus?
Koelho: É que estávamos bebendo no bar, e...
Nick: Caralho, cara! Vocês são muito irresponsáveis!
Koelho: Mas o Helinho também estava lá, viu?
Nick: Ah, só podia! Ele está aí? Deixa eu falar com ele!
Koelho: Ahm, bem... ele embarcou, sabe? Até nos chamou, mas...
Nick: Puta que pariu, o Seven Elevenz só me fode!

Nick disse que ia ligar para o celular do Helinho, e que depois, nos passava as novidades. Pouco mais de 10 minutos depois, retornei a ligação e ouvi tudo o que não queria. O patrão nos contou que Helinho e as outras 13 bandas já estavam todos alterados, bêbados, numa gritaria desgraçada no ônibus! Ele disse que nem tinham percebido que nós não estávamos lá! Falei para ele que não sabia mais o que fazer, e ele deu a sugestão de pegarmos um ônibus pago e encontrarmos com o restante da turnê em Curitiba. Lá, deveríamos cobrar satisfações do organizador da Feira Mix, que supostamente fez a contagem dos passageiros do ônibus de forma errada. Após todo o acontecido, percebemos que a contagem saiu certa, já que algumas bandas colocaram pessoas a mais no ônibus, o que acabou fazendo com que o motorista não percebesse o erro.

Liguei para meu pai e disse o que havia acontecido. Depois de me xingar de todos os nomes que o Wikipedia conhece, ele disse que iria nos buscar, e que viajar para Curitiba sem garantia alguma era besteira. Quando ele chegou, já com outras idéias, sugeriu que fôssemos e cobrássemos o que nos deviam, ou seja, as passagens. O Rudá sacou dinheiro e pagou a parte do Barata, já que a sua carteira estava junto com os pratos da bateria, dentro do ônibus desvairado. Fomos para o Terminal Tietê, às 23h. O primeiro ônibus sairia apenas às 6h. Tínhamos, então, sete horas para lamentar nossa imbecilidade e azar típicos.

Quando chegou a hora do embarque, assim que sentamos em nossos lugares, capotamos. Acordei já perto de Curitiba, sol a pino, cansado, com fome e completamente emputecido. Dentro do ônibus acabamos nos deparando com outra banda da Feira Mix, que saiu do Rio de Janeiro por não ter transporte direto, o Noção de Nada. Ajudamos os caras com os equipamentos deles e fomos a pé para o hotel onde as outras bandas estavam, no centro de Curitiba. Assim que chegamos, o maior problema: o organizador da turnê, um gordinho mimado e filho da puta, não estava no mesmo hotel e não tínhamos o telefone dele. Acabamos encontrando alguém no saguão que também era do show e fomos para o "nosso" quarto, já devidamente ocupado por outras pessoas de outras bandas, álcool, drogas e uma garota semi-nua desacordada sobre a cama.

Trocamos de quarto. Recuperamos os instrumentos, avisamos os familiares que estávamos vivos e sadios e fomos procurar explicações para o que houve. Segundo 80% das pessoas, o ônibus realmente saiu atrasado demais, e quando saiu de verdade, saiu sem conferir praticamente nada. A maconha e o álcool colaboraram para isso, claro. Finalmente, consegui o telefone do organizador da turnê, liguei para ele cobrando o prejuízo e recebi um belo "O erro foi de vocês, eu não tenho nada a ver com isso" por parte do gordela. Sim, eu estava quase me transformando em Super Saiyajin naquele momento. Aproveitamos o resto do dia para comer e descansar, já que a Inês era morta. Por volta das 17h o ônibus estacionou em frente ao hotel, as bandas que tocariam no primeiro dia - inclusive nós - embarcaram e fomos para o complexo onde a Feira Mix ia acontecer.

A divulgação foi boa. Cartazes, sites, rádios, tudo o que um evento com dois dias de show e 14 bandas merecia. No caminho, percebemos mais um fator que nos ajudou a ter ficado ilhados em São Paulo: o motorista. Apelidado de "Feliz", por ser parecido com aquele figura que apresentava a previsão do tempo no Aqui Agora (SBT), o cara era mais maluco do que muitos ali. Bebia e fumava seu baseado enquanto dirigia e, "feliz da vida", saía do volante a toda hora para fazer brincadeirinhas e avisar "Já estamos chegando!". O local em si era enorme, por volta de uns 1000m², sem contar o estacionamento e a área aberta. Anexo, havia uma pista de kart e uma lanchonete vagabunda. Devia ter umas 200 pessoas quando chegamos, e como se desgraça pouca fosse bobagem, nós fomos colocados para tocar em primeiro. Meia hora de show, um som ainda terrível, público frio e descemos do palco pensando: Ok, já nos fodemos o máximo possível, pior não dá para ficar. Agora, vamos tentar aproveitar isso ao máximo.

Ah, quem dera se fosse assim, mesmo...
(continua na semana que vem).

Comentários






Koelho - 30/06/2009 14:36

É, Black Jack teve alguns shows muito bons! Esse com o Tor cantando "Que venha os mortos" e aquele com o Artur, do Flicts, em que tocamos umas 10 músicas da banda... tocou Excluídos nesse mesmo dia, se não me engano.

Testa - 29/06/2009 19:03

Mas teve um do Seven no Black Jack que foi foda... Até o Tor cantou com a gente... haha...

Testa - 29/06/2009 19:02

Street Rock foi o segundo melhor show da minha vida...

O primeiro foi o segundo show do Seven Elevenz no RJ... O da loira boa lá...

Tá, não foi... Foi o SR.

Koelho - 27/06/2009 17:52

O Street Rock é apelação pura, mas é bem legal... qualquer banda que tenha tocado lá se sentia meio AC/DC.

Luiz Bejota - 26/06/2009 21:16

se eu tocasse no street rock, mesmo se o show fosse uma merda, eu acharia bom
xxxxxx

Michael Jackson - 26/06/2009 18:45

Little Rabbit, do you have children?

Koelho - 26/06/2009 12:53

Eu acho que a banda teve uns 4 bons shows, dos quais eu só me lembro de um, no Street Rock.

Leo - 25/06/2009 21:58

Ainda foram o cobrar o organizador do evento... hahahaha que lixo. Pergunta: Algum show da banda vcs acharam bom?

Koelho - 25/06/2009 14:01

Hahahaha merda, pensei que eu seria comparado ao Rambo!

Wimpy - 25/06/2009 00:22

O Koelho é rei de cliffhanger em histórias, e não, não estou estou falando do filme do Stallone...

Koelho - 24/06/2009 20:40

Calma, cocada, calma!

Pedrinho - 24/06/2009 16:00

Porra bicho...

faz isso não velho, fiquei curioso, adianta aí na net o retante =]

Koelho - 24/06/2009 14:54

Essa é pra quem tava reclamando que a coluna estava curta demais, hehehe!

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