29/07/2009, por Rafael Koelho
Worth it
Com as músicas prontas, precisávamos, naquele momento, de shows. Nem que fossem aqueles esporáricos, um aqui e outro acolá, para evitar que a banda caísse no marasmo do qual havia acabado de sair. A diferença entre poder e fazer é tirar a bunda da cadeira. Foi justamente nosso erro, de novo, pela terceira vez. Fizemos o show da Outs e saboreamos quatro meses de inércia total. Já era complicado encontrar os três da banda em uma mesa de bar ou juntos em algum local. O Barata, como sempre, tinha seus compromissos com as outras bandas (D.E.R., Sick Terror e, de vez em quando, Tri Lambda), enquanto o Rudá e eu só saíamos de casa para algo que fosse extremamente barato e/ou imperdível - ou seja, nos víamos de três em três meses. Notei que a banda iria para o buraco, sem retorno, no show que fizemos no extinto Novo Aeon, na zona sul.
Antes de dizer o motivo, deixo claro aqui que sempre achei a idéia do local excepcional. Beirando a Represa do Guarapiranga, em uma região extremamente carente de boas casas de rock, o Novo Aeon tinha tudo para ser um sucesso: único ponto aberto às novas bandas da região (a zona sul de São Paulo, entre playboys nojentos e gente muito pobre, abriga cerca de 35% da população de quase 12 milhões de pessoas da cidade), preços mais baixos do que os praticados no centro (região que possui 70% das casas noturnas e de rock por aqui), ambiente amplo (três andares, sendo dois palcos, um bar e uma área aberta, no terraço, de frente à represa) e acesso rápido ao terminal de ônibus e trem. Ou seja, era o lugar ideal para um show do Seven Elevenz, em uma agradável noite de sábado.
Avisamos todos os amigos, bandas, fãs e etc e, no dia do show, ainda repassamos todo o set-list para tocar aquelas músicas que sempre nos pediam antes e sempre ignorávamos. Mal informados como sempre fomos, o show era uma reunião de bandas em uma espécie de festival, e quando cheganos no recinto, a última banda estava terminando o show. Sentamos, bebemos, esperamos nossa vez. Resultado: público de sete pessoas. Duas delas, meus amigos. Nem o Feijão, fiel escudeiro da banda, conseguiu comparecer. Desculpas a parte - como distância do centro, falta de dinheiro e “esqueci!” -, pipocaram de todos os lados, mas a verdade era outra: não tínhamos mais nada a oferecer, além daquilo que sempre fizemos - rock vagabundo e desleixado.
Voltando para casa, levemente emputecido com a situação, pensei em todos os motivos que poderiam valer a pena em continuar com a banda. Cheguei apenas a três, e nenhum deles envolvia música. Ainda recebemos uma proposta para tocar no interior, mas deixamos suspensa até definirmos o que fazer com a banda - em outras palavras, quando terminar de vez com ela. Por e-mail, expus todos os prós (umas 3 ou 4 linhas) e todos os contras de continuar com o Seven Elevenz (umas 10 linhas). Todos aceitaram o fato de que estávamos, antes mesmo de acomodados, sem tesão pela coisa toda em si. Apenas o Rudá aceitou a questão de forma claramente “ok, se é isso que vocês querem”. Por ele, a banda teria continuado, nem que fosse do mesmo jeito que estava. Também, pudera: O Rudá havia caído do cavalo com o Compactos, banda formada por ele, Osvaldo e Bubs (ex-Name It Yourself) e Caio (ex-Doped Dog). A banda era tão boa, mas tão boa, que não deu certo. O Compactos foi originado de uma tentativa com outro integrante no baixo, eu mesmo, que fui substituído pelo próprio Rudá, que teve de sair da guitarra, dando lugar ao Caio. A música “Bound to Fall” do nosso ep “No Colors” foi uma homenagem minha ao Bubs, que tinha feito um som muito bom com o mesmo nome para a tal banda, na época ainda sem nome e compondo em inglês. A homenagem, infelizmente, ficou apenas no nome da música, mesmo.
Tratamos de oficializar o fim da banda com um show. Nós estávamos acabando a banda pela segunda ou terceira vez, portanto, pelo menos isso nós íamos levar a sério, Meu plano inicial era de alugar o Vila Rock, local de nosso primeiro show na terra da garoa, e tocar de tudo - das músicas da fita-demo até o ep virtual. Eu até liguei para o bar, perguntei sobre datas, e só tinham disponível um sábado três meses adiante. Era tempo demais. Outra coisa que não deu certo ao marcar o show, foi o fato de eu querer colocar para tocar todo mundo que já tivesse feito parte do Seven Elevenz, nesse caso, o Testa. Porém, não nos falamos mais há algum tempo e a idéia não foi bem-vinda pelos outros. Minha neura inicial de tocar cerca de 40 músicas durante a noite toda também colaborou com o fracasso do projeto.
Eis que apareceu a chance ideal: Um show do Bubblegum Attack, no Hangar 110, com os Zumbis do Espaço e outras três bandas da dita “crew” bubblegum. Na mesma semana, o tal show do interior se confirmou, o que faria o show do Hangar não ser mais o último, mas sim, o penúltimo. Isso bastou para começarem a dizer que eu - imagine, eu! - estaria apenas fazendo publicidade para o Seven Elevenz e tentando impor regras. Como não fomos ao sorteio das bandas, no Cerveja Azul, recebemos por e-mail a notícia que seríamos a segunda banda da noite, por volta das 20:30h. Aceitei de pronto, por e-mail, e disse que estava tudo bem. Depois, o Rudá me disse que estava trabalhando em dois empregos, e no dia do show, não ia conseguir chegar antes das 21h. Pronto. Pedi, então, que fosse conversado entre as bandas - com exceção do Zumbis, que fecharia a noite - sobre a possibilidade de sermos “empurrados” para tocar mais tarde, por volta das 21:30h, pelo problema do nosso guitarrista. Alguns acharam super normal, outros nem ligaram, mas houve aqueles que entenderam o pedido como um gesto de estrelismo meu e da banda. O absurdo chegou ao ponto de pegarem histórias de quando o Seven Elevenz era só mais uma banda que a pessoa tinha em formato de cd ou mp3 nos fones de ouvido e trazer à tona. Entre disparates e choramingos, no dia do show, o clima de festa que eu havia planejado para o show no Vila Rock não passou nem perto da calçada do Hangar. Dos males, o menor: aquilo, por sorte, nunca mais iria acontecer.
Fizemos o show de forma centrada: ensaiamos antes, decoramos todas nossas obrigações de palco - beber pouco antes do show / respeitar a velocidade das músicas / não fugir do set -, e o resultado foi positivo. Claro, não foi 50% do que eu planejei, mas foi bacana. Na semana seguinte, fomos para o interior, convidados pelos Suffers, fazer, sim, nosso último show como SevenElevenz. Os Gin Tonics também tocaram nessa noite. Senti um misto de tristeza com satisfação ao ver, pessoalmente, um fã da banda desde 2004 se locomovendo 250km para nos ver tocar, pela primeira e última vez, no caso. Na volta para São Paulo, no carro da namorada do Rudá, ao lado do Barata e do Dolinha, pensei: “Mas por que diabos aquele cara saiu de casa nesse frio todo, para ver um show tão bobo, em que tocamos pouco mais de 30 minutos, longe de casa, de ônibus... será que é porque ele não sabe que isso tudo não vale tanto a pena? Ele ainda me falou sobre a banda dele, coitado. Vai passar por poucas e boas, por nada”.
Mas, pensando bem, nada “não vale a pena”.
Essa poucas são, sempre, de alguma forma, boas.
E nossas poucas foram bem poucas, mas muito boas, ao longo de nove anos.
E valeu a pena, sim.
PRA CARALHO!
Tags: hangar 110, outs, gin tonics, vila rock, novo aeon, suffers, chorões
Só avisar...
Deleta quando eu postar o # 16, hehe.
E Testa, o tal show do Vila, talvez, ainda role.
Mais pra frente, mais pra frente.
Três coisas a dizer:
1) Seven Elevenz: minha banda favorita de São Paulo, de bubblegum e que tem o Koelho como integrante. Falei tudo! hahaha
2) Dolinha eterno!
3) Agora foi tudo que eu precisava: DELETE no Acnóide e no Bubblegum Attack! Aeeee!!!
Po, teria sido foda esse show no Vila hehehe...
E, caralho... Apesar de tudo, valeu mesmo... Concordo.
Deixando claro que essa putaria terminou.
Vou fazer só mais um capítulo, semana que vem, citando algumas pessoas que são extremamente necessárias no Seven Elevenz e falando sobre as músicas que eu fiz para a banda.
Depois disso, o tio Leonel pode apertar o DELETE da Acnóide por aqui, haha!


